Gestão

O fim do escritório como conhecemos: o que os dados dizem dois anos depois

Fernanda Alves Fernanda Alves · Editora de Negócios 2026-05-30 Atualizado: 2026-06-01
O fim do escritório como conhecemos: o que os dados dizem dois anos depois

Após a pandemia, empresas brasileiras experimentaram modelos híbridos com resultados variados. O que ficou, o que voltou e o que ainda está sendo decidido.

Dois anos após o fim das restrições pandêmicas, o debate sobre o futuro do trabalho no Brasil saiu da fase de especulação e entrou na fase de dados. E os dados, como sempre, são mais complexos do que qualquer narrativa simples — seja a do "home office é o futuro" ou a do "escritório é insubstituível".

Uma pesquisa recente com mais de 500 empresas de médio e grande porte no Brasil revelou um quadro fragmentado: 34% adotaram modelo híbrido com dias fixos no escritório, 28% mantiveram presença integral, 22% adotaram modelo flexível sem dias fixos, e apenas 16% mantiveram trabalho remoto integral. Mas por trás dessas categorias, há uma enorme variação em como cada modelo é implementado na prática.

O que as empresas aprenderam

A principal lição do período pós-pandemia, segundo gestores de RH ouvidos para esta reportagem, não é sobre onde se trabalha, mas sobre como se gerencia. Empresas que tinham cultura de gestão por resultados adaptaram-se melhor ao trabalho remoto. Empresas que dependiam de controle de presença e microgestão tiveram mais dificuldades — e foram as primeiras a chamar os funcionários de volta.

"O problema nunca foi o home office", me disse a diretora de RH de uma empresa de tecnologia paulistana que manteve modelo híbrido. "O problema era a gestão. Quem não sabia gerenciar presencialmente não aprendeu a gerenciar remotamente."

O custo invisível da volta ao escritório

Empresas que exigiram retorno integral ao escritório enfrentaram um custo que muitas não anteciparam: a saída de talentos que preferiram buscar empregadores com mais flexibilidade. Em um mercado de trabalho competitivo para perfis técnicos qualificados, essa perda teve impacto real.

O equilíbrio entre as preferências dos funcionários e as necessidades operacionais das empresas ainda está sendo negociado. E deve continuar sendo negociado por muito tempo.


Fernanda Alves
Fernanda Alves
Editora de Negócios

Jornalista especializada em economia e mercado financeiro. Formada pela FGV-SP, com passagem pela Bloomberg Brasil. Cobre o ambiente de negócios paulistano há doze anos.

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